NelsonGalvao,

A guerra acabou. por Nelson Galvão

fevereiro 27, 2018 Mulher da Palavra 0 Comments




Hiroo Onoda foi um oficial da inteligência do Exército Japonês que combateu na Segunda Guerra Mundial
Em 1944 foi enviado em missão à ilha Lubang nas Filipinas. Ao final da guerra, a ilha foi recuperada pelos aliados em fevereiro de 1945.
A maioria das tropas japonesas na ilha morreu ou foi capturada por forças americanas. Onoda e diversos outros homens, entretanto, esconderam-se na selva.
Sabe o que é mais trágico nessa história? Onoda continuou sua campanha, vivendo nas montanhas com três soldados. Um de seus companheiros rendeu-se às forças Filipinas, e os outros dois foram mortos em batalhas com as forças locais - em 1954 e em 1972 - deixando Onoda sozinho nas montanhas.
Por 29 anos Onoda recusou render-se, negando cada tentativa de convencê-lo de que a guerra tinha acabado em 15 de agosto de 1945, com a rendição do imperador Hirohito do Japão (Fonte: Wikipedia).
“A guerra acabou”! Essa é a notícia que vem da cruz. Cristo venceu e nos fez filhos de Deus e irmãos uns dos outros, nós que, outrora éramos inimigos de Deus e inimigos uns dos outros.
Em Cristo temos comunhão uns com os outros. Entretanto, assim como Onoda, teimamos em continuar a luta uns contra os outros, embora a guerra já tenha acabado. Como? São discórdias, palavras ferozes, intrigas, injúrias, calúnias, enfim, disposições belicosas em tempos de paz que nos fazem recordar da guerra.
 É por isso que Paulo exorta aos Efésios: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.1-3).
Perceba que Paulo exorta aos Efésios a viver de acordo com a vocação deles. Eles já tinham sido chamados, eles já eram salvos, já foram abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus. Agora, deveriam viver à luz disso. Como? Com unidade na diversidade.
Essa unidade foi conquistada por Cristo, mas deveria ser diligentemente preservada. Perceba como Paulo diz isso no v. 3: “esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade”. A NVI traduz da seguinte forma: Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. (NVI) O sentido no original é: “dando de si o máximo e fazendo-o constantemente”.
Nós somos muito rápidos em desistir uns dos outros. Queremos que Deus e os outros sejam pacientes conosco, mas quando se trata de outras pessoas, somos implacáveis. Excluímos as pessoas de nosso círculo de relacionamentos e amizade com a mesma facilidade de quem troca de camisa. Eu quero incentivá-lo a dar de si o máximo e persistir nesse esforço para que a comunhão na igreja seja preservada.  Lembre-se: a guerra acabou!

Nelson Galvão
Sola Scriptura





Nelson é casado com Simone desde 1997 e eles têm um filho. Ele é formado em História e Teologia, pós-graduado em Administração Escolar e mestre em Educação (PUC-SP). Atualmente faz mestrado em Teologia do Novo Testamento no Seminário Bíblico Palavra da Vida- Atibaia, SP. 
Atua como diretor pedagógico do ministério Pregue a Palavra, como coordenador do grupo do Pregue a Palavra de Cuba e como professor convidado da Escola de Pastores PIBA.

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BiancaBonassiRibeiro

O filho da viúva. por Bianca Bonassi Ribeiro

fevereiro 20, 2018 Mulher da Palavra 1 Comments




Ao meditar nesse texto, espero que você se sinta encorajado(a) a se tornar ou permanecer fiel Aquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós (Ef 3.20). Também desejo que as circunstancias desfavoráveis e difíceis da vida, sejam compreendidas como provas de fé, obediência e fidelidade a Deus. 
Recentemente, em uma de nossas devocionais, Luciano e Eu, fomos surpreendidos com um texto já bem conhecido por nós, mas que nos encorajou de maneira diferente e especial. O texto encontra-se em I Reis 17. 7-24 e é conhecido como a viúva de Sarepta. Trata-se de um dos eventos na vida do profeta Elias, um grande homem de Deus, que viveu numa época crítica do povo de Israel.
O profeta Elias, viveu mais ou menos 800 anos antes de Cristo. Ele foi usado pelo Senhor, para exortar o povo de Israel que havia se desviado de Deus. Nesta época, o reino estava dividido em dois: Reino do Norte (Israel) e Reino do  Sul (Judá), cada um deles com seus próprios reis. O povo do Reino do Norte estava sob a liderança do rei Acabe que havia instituído a adoração a outros deuses, em especial a Baal (deus da fertilidade), o que acarretou a decadência de padrões morais em todos os sentidos da vida. Nesse cenário, Elias foi o instrumento de Deus para exortar o rei e o povo. Certo dia, Elias disse ao rei Acabe, que não cairia do céu nem orvalho e nem chuva por um longo período (IRs 17.1). A seca, que durou cerca de três anos (IRs 18.1), atingiu não só o Reino do Norte, como também toda a região adjacente, dentre elas a Fenícia.
O impacto de um período de seca numa sociedade cuja atividade econômica e de sobrevivência dependia da agricultura e pecuária foi devastador. Sem água não havia alimento tanto para pessoas quanto para os rebanhos e a fome atingiu todos. Nesse contexto, Deus, que é o provedor dos recursos necessários à vida,  enviou Elias à Fenícia, para uma cidade chamada Sarepta, próximo ao território de Sidom:   
Então a palavra do Senhor veio a Elias: vá imediatamente para a cidade de Sarepta de Sidom e fique por lá. Ordenei a uma viúva daquele lugar que lhe forneça comida. E ele foi (IRs 17.8-10a).
            Um ponto interessante é que na Fenícia, o povo não era israelita / judeu. Portanto, eram denominados gentios e culturalmente serviam outros deuses, a ponto de terem influenciado o povo de Deus a se desviar. Mas, em Sarepta (Fenícia) havia uma exceção, ou seja, uma viúva que servia ao único Deus. Isso pode ser visualizado pelo relacionamento que Deus tinha com ela. Quando Deus disse ordenei, Ele revelou ao profeta que o nome D’Ele era conhecido e honrado por outros povos, além de Israel. Embora o povo de Israel se recusasse a obedecê-lo, havia quem o servisse e o obedecesse independentemente de ser Israelita ou Fenício.
Vale ressaltar que a viúva estava sofrendo com as circunstâncias, a vida dela não era fácil, porque ela era marginalizada por sua viuvez e vivia as consequências da seca avassaladora. Mas, ainda assim mantinha-se fiel a Deus conforme o texto apresenta:  
Quando chegou à porta da cidade, encontrou uma viúva que estava colhendo gravetos. Ele a chamou e perguntou: “Pode me trazer um pouco d’água numa jarra para eu beber?” Enquanto ela ia buscar água, ele gritou: “Por favor, traga também um pedaço de pão.” Mas ela respondeu: “Juro pelo nome do Senhor, o teu Deus, que não tenho nenhum pedaço de pão; só um punhado de farinha num jarro e um pouco de azeite numa botija. Estou colhendo uns gravetos para levar para casa e preparar uma refeição para mim e para meu filho, para que a comamos e depois morramos”. Elias, porém, lhe disse: “Não tenha medo. Vá para casa e faça o que eu disse. Mas primeiro faça um pequeno bolo com o que você tem e traga para mim, depois faça algo para você e para seu filho. Pois assim diz o Senhor, o Deus de Israel: “A farinha na vasilha não se acabará e o azeite na botija não se secará até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a terra. Ela foi e fez conforme Elias lhe dissera. E aconteceu que a comida durou muito tempo, para Elias e para a mulher e sua família. Pois a farinha na vasilha não se acabou e o azeite na botija não se secou, conforme a palavra do Senhor proferida por Elias (IRs 17.10b – 16).
            A fidelidade e confiança desta mulher, em Deus e na Palavra de Deus, tornou-a exemplo para nós até o dia de hoje. Ela se dispôs a obedecer porque confiou na Palavra de que não lhe faltaria o sustento necessário para ela, sua família e ao profeta. A obediência ocorreu primeiro pelo relacionamento dela com Deus e depois pela confiança dela na Palavra de Deus, proferida por meio do profeta. Atualmente, a nossa obediência também deve ser uma manifestação de nosso relacionamento com Deus, assim como a nossa confiança precisa estar pautada na Palavra de Deus, que hoje é proferida pela Bíblia.
            Porém, a história não terminou nesse ponto, há uma continuação intrigante. O relato segue da seguinte forma:
Algum tempo depois o filho da mulher, dona da casa, ficou doente, foi piorando e finalmente parou de respirar. E a mulher reclamou a Elias: “Que foi que eu te fiz, ó homem de Deus? Vieste para lembrar do meu pecado e matar o meu filho?” Dê-me o seu filho, respondeu Elias. Ele o apanhou dos braços dela, levou-o para o quarto de cima, onde estava hospedado, e o pôs na cama. (IRs 17.17-19).
            Aparentemente tudo estava caminhando bem, o relacionamento da viúva com Deus, a provisão necessária para a família deles e do profeta. Deus cuidando dos seus, mesmo diante da rebeldia do povo de Israel e terrível seca que afetava a terra. Entretanto, depois de algum tempo o filho da viúva ficou doente, piorou e morreu! Imediatamente a reação dela foi pensar o que eu fiz de errado para receber essa punição?
            Imagino que todos que estejam andando fielmente e em obediência a Deus já tenham feito essa pergunta diante de uma dura provação. Em um daqueles momentos em que você não consegue entender os motivos pelos quais tamanho sofrimento está sobre você e /ou sua família. Pode ser que você seja tentado a pensar que o simples fato de ter uma natureza caída já justifica a punição. Foi nesse ponto que a viúva chegou quando questionou o profeta Elias se ele tinha vindo “lembrar do pecado dela”. Se esse for o seu caso, como já foi o meu, vale recordarmos de uma coisa: nossos pecados, passados, presentes e futuros foram perdoados na cruz! Conforme I João 1.9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” Portanto, as provações não são punições, caso contrário invalidariam o sacrifício de Jesus na Cruz (Jo 3.16-18).
            No caso da viúva, que viveu antes de Cristo, Deus mostrou a sua Graça devolvendo a vida do filho dela. A nós, que vivemos depois de Cristo, Ele demonstra a sua Graça nos fazendo recordar a mensagem da cruz, de forma que tenhamos ânimo e forças para prosseguir em meio as lutas e dores.
            As provações são instrumentos de santificação e proclamação do evangelho através de nossas reações à elas. As provações podem nos atingir de diversas maneiras, por exemplo, perda de um emprego sem motivos aparentes, doenças, falecimento de uma pessoa querida, traição de um cônjuge ou filho, assaltos, roubos, perseguição de diferentes maneiras e tantas outras formas. Entretanto, devemos permanecer firmes reagindo de maneira a glorificar a Deus.
            Por fim, também gostaria de ressaltar a reação de Elias diante da provação e sofrimento da viúva. Note o que o texto apresenta:
Então clamou ao Senhor: “Ó Senhor, meu Deus, trouxeste também desgraça sobre esta viúva, com quem estou hospedado, fazendo morrer o seu filho?” [...] “Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino!” O Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida voltou ao menino, e ele viveu (IRs 17. 20-22)
Ele não correspondeu afirmativamente à indagação dela quanto a ser punida por seu pecado, ao contrário, ele em oração foi a Deus, reconhecendo a vida piedosa dela e intercedendo por seu sofrimento. Que a nossa atitude, diante do sofrimento dos irmãos e irmãs não seja de julgamento, na tentativa de descobrir onde está o pecado, mas que passemos a interceder pela vida piedosa de pessoas obedientes e fiéis a Deus.
  Bianca Bonassi Ribeiro



Bianca é casada com Luciano. Eles têm dois filhos, o Pedro e o Vitor. Ela faz parte da equipe docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP, desde 2007 e é membro da Primeira Igreja Batista de Atibaia.
Bianca é doutora em Comunicação e Semiótica, mestre em Administração e graduada em Administração de Empresas.

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NelsonGalvao,

A Igreja tem tudo para dar errado. por Nelson Galvão

fevereiro 16, 2018 Mulher da Palavra 0 Comments


Digo isso por conta das diferenças que existem entre nós. Enquanto as instituições são formadas por grupos de interesse e afinidade, a Igreja é constituída de gente pobre e rica, homens e mulheres, velhos e crianças. Somos diferentes uns dos outros ainda em termos de gosto, competências, habilidades... enfim, muito diferentes!!!
Toda essa diferença, naturalmente cria atritos. Os que gostam de uma música mais agitada, acompanhada de instrumentos eletrônicos, não se entendem com aqueles que amam música erudita. Existem aqueles têm hábitos noturnos e preferem o culto da noite e não gostam do culto da manhã que é apreciado pelos que acordam cedo.
Enfim, diferenças causam atritos! É por isso que acredito que a Igreja tem tudo para dar errado. Entretanto, a despeito de todo esse potencial autodestrutivo, a Igreja permanece. Por que? Porque a Igreja é um milagre de Deus! Foi Cristo que, com Seu sangue e ressurreição edificou a Igreja. E a comunhão na Igreja é uma realidade conquistada por Cristo.
Em sua carta aos Efésios, Paulo afirma que não existe mais separação entre gentios e judeus, todos são um em Cristo (2:11-3:21). Perceba que Paulo afirma a ação de Deus para formar a comunhão na Igreja entre judeus e gentios (2.13-17): a- “antes estáveis longe, fostes aproximados” (2.13); b- “de ambos fez um” (2.14); c- “Derribou a parede de separação que estava no meio, a inimizade” (2.15); d- “Dos dois criou, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz” (2.16); e- “Reconciliou ambos em um só corpo com Deus; f- “Evangelizou paz aos que estavam longe e aos que estavam perto” (2.17).
Perceba ainda nos vs 13-17, como Deus formou a comunhão na Igreja: em Cristo Jesus” (2.13); “pelo sangue de Cristo chegastes perto” (2.13); “ele é a nossa paz” (2.14); na sua carne desfez a inimizade” (2.14); para criar, em si mesmo” (2.15); “pela cruz” (2.16); “ele evangelizou” (2.17). Ou seja, a comunhão na igreja é uma conquista do sangue de Cristo.
O resultado da obra de Cristo está nos vs 19-22: Paulo refere-se à Igreja como: concidadãos, coerdeiros e coparticipantes da promessa; a família de Deus, um edifício, a morada de Deus e o corpo de Cristo.
Diante disso, entendo que a comunhão não é algo a ser alcançado; é realidade constitutiva. Faz parte da natureza da Igreja; portanto, deve ser celebrada e mantida.
É exatamente por conta da comunhão, já existente na Igreja, que: recebemos um telefonema de alguém dizendo que está orando por nós; somos visitados em nossas enfermidades; somos ensinados uns pelos outros a como ser um discípulo melhor.
Isso é incrível! Em meio ao hiper-individualismo dos tempos modernos, onde as pessoas estão se matando de solidão em suas casas, Deus providenciou para os Seus filhos uma família, a Igreja. Celebremos a comunhão que Deus nos dá na Igreja.

Você tem críticas à Igreja? Eu também as tenho! Lembre-se: a Igreja tem tudo para dar errado. Mas lembre-se também que é exatamente nesse fato que o poder do Evangelho é manifesto na Igreja. Onde tudo poderia dar errado, Cristo através de Sua morte e ressurreição transforma em celebração. Então, em meio às diferenças celebremos a Igreja!

Nelson Galvao
Sola Scriptura




Nelson é casado com Simone desde 1997 e eles têm um filho. Ele é formado em História e Teologia, pós-graduado em Administração Escolar e mestre em Educação (PUC-SP). Atualmente faz mestrado em Teologia do Novo Testamento no Seminário Bíblico Palavra da Vida- Atibaia, SP. 
Atua como diretor pedagógico do ministério Pregue a Palavra, como coordenador do grupo do Pregue a Palavra de Cuba e como professor convidado da Escola de Pastores PIBA.

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