Retrospectiva Congresso Mulher da Palavra



Nesse ano de 2018 comemoramos 10 anos. Confira a retrospectiva desde o nosso primeiro Congresso.


Congresso Mulher da Palavra 2018

Começa amanha o nosso Congresso 2018 e estamos todas muitas animadas!
Confira nossas preletoras:











Sobre a verdadeira alegria! por Nelson Galvão




Você já deve ter ouvido falar de Agostinho. Um homem incrível que viveu no séc. IV d.C. Ele viveu na época do saque de Roma pelos Visigodos. Seu livro “Cidade de Deus” foi escrito nesse ambiente decadente do império romano marcado pelos caos político, social, econômico e espiritual. Mas ainda assim, em seu livro “Confissões”, Agostinho afirma: “Tu nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criaste para ti, e o nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti”.[1] Me chama a atenção Agostinho falar de “prazer” em um contexto de caos! Como é possível?
Paulo nos ajuda a responder a essa pergunta. A exortação de Paulo aos filipenses é: “alegrai-vos no Senhor” (3.1). Essa exortação é repetida em 4.4 e mencionada em 4.10. Paulo já mencionou antes a alegria nessa carta. Aliás, ele menciona essa palavra pelo menos 15 vezes em toda a carta. Ele disse que a cooperação dos filipenses na causa do Evangelho lhe trazia alegria (Fl 1.5); que o fato de Cristo ser anunciado lhe trazia alegria (Fl 1.18); que a comunhão entre os filipenses lhe agregava alegria (Fl 2.2); que a fé operosa dos filipenses lhe dava alegria (Fl 2.17).
Perceba que a alegria de Paulo tinha mais haver com o Evangelho do que as circunstâncias temporais, o que nos deixa curiosos, uma vez que na ocasião ele estava preso. Qual o segredo da verdadeira alegria? Veja novamente a exortação: “alegrai-vos no Senhor” (3.1 – grifo meu). Aqui está o ponto: a verdadeira alegria tem como fonte o Senhor. De que Senhor ele se refere? Veja o verso 8: “Cristo Jesus, meu Senhor”. A verdadeira alegria encontra-se em Cristo.
Mas... o que significa alegrar-se em Cristo? Na sequência, Paulo contrapõe os maus obreiros (v. 2), com ele e seus cooperadores (v. 3). Os maus obreiros eram aqueles judaizantes que insistiam que a salvação se dá pela fé em Jesus e pelas obras. Afirmavam que Cristo não é suficiente para a salvação; é preciso algo mais a fim de merecer o céu. Sem dúvida, o conceito de salvação pelas obras faz parte da natureza caída do homem que o escraviza ainda mais em religiosidade que só traz mais amargura para a alma.
Por outro lado, os que servem a Deus em Espírito - ou seja, confiam exclusivamente em Cristo para a salvação (Gl 5.5) – desprezam a confiança em seus próprios méritos. Paulo descreve sua experiência quanto judeu fervoroso em sua religião (v. 4-6). Ele poderia orgulhar-se de ser zeloso nos preceitos religiosos. Mas considerava isso como “esterco” (v. 8)!  Por que? Porque é negando a própria capacidade de alcançar o céu que abraçamos a justiça que vem exclusivamente da fé em Cristo (v. 9) e participamos tanto dos sofrimentos de Cristo quanto da ressurreição de Cristo (v. 10,11).
Talvez você esteja sobrecarregado(a) de culpa e carregue um fardo enorme pelos seus erros no casamento ou com seus filhos. Talvez você esteja à procura de uma forma de pagar por estes erros através da religião ou de boas ações. Ou você já desistiu de ser o que não consegue e vive de forma cínica, flexibilizando/relativizando padrões morais. De todo modo o esforço em ser a boa pessoa que você deveria ser, mas não consegue ser, tem te trazido amargura, tristeza e até mesmo indiferença. Bem, eu quero apresenta-lo à fonte da verdadeira alegria: a confiança exclusiva nos méritos de Cristo. Somente em Cristo nossa alma se encontra com a satisfação plena. Nas palavras de Agostinho: “onde quer que se volte a alma humana, a não ser que se volte para ti, ela se fixa em tristezas; sim, mesmo quando contempla coisas belas”.[2]

 Nelson Galvão


[1] Agostinho. Confissões: Livros de 1 a 10 (Clássicos MC) (Locais do Kindle 164-165). Editora Mundo Cristão. Edição do Kindle.
 [2] Ibid. (Locais do Kindle 1051-1052).

Confira também as pastorais anteriores em Filipenses:




Nelson é casado com Simone desde 1997 e eles têm um filho. Ele é formado em História e Teologia, pós-graduado em Administração Escolar e mestre em Educação (PUC-SP). Atualmente faz mestrado em Teologia do Novo Testamento no Seminário Bíblico Palavra da Vida- Atibaia, SP. 
Atua como diretor pedagógico do ministério Pregue a Palavra, como coordenador do grupo do Pregue a Palavra de Cuba e como professor convidado da Escola de Pastores PIBA.

Cristo em nós... isto sim é admirável! por Nelson Galvão.





Quem são aqueles que você admira? Se essa pergunta fosse feita a uma criança, provavelmente a resposta seria alguém do panteão mitológico moderno da Marvel!
Mas os admiráveis dos adultos não são aqueles que têm superpoderes, mas a quem é projetado como exemplo a ser seguido. Alguns admiram empresários de sucesso, artistas do mundo pop, estadistas do passado, ou até mesmo novos “influenciadores digitais”. Obviamente estes são escolhidos assim a partir dos valores de cada indivíduo, ou sociedade. (É uma pena que no Brasil o admirável de alguns seja aquele que ignora a ética no futebol, preferindo cavar faltas a jogar limpo, e na política aquele que está preso por corrupção e, mesmo assim, se lança candidato à presidência da República. Isso expressa os valores de uma sociedade moralmente falida!).
Em nossa devocional de hoje veremos duas pessoas citadas por Paulo que são admiráveis, Timóteo e Epafrodito (Filipenses 2.19-30). Por que Paulo os cita assim? O que nesses dois homens é destacado por Paulo que deve nos chamar a atenção? Lembre-se que no texto anterior mencionei que Filipenses é uma carta disposta em ciclos de exortação/exemplo. Esse ciclo começa com a exortação do texto que trabalhamos na semana passada, Fl 2.12-18: “O Evangelho é poderoso para nos salvar e continuar nos salvando”.
Muito bem, dessa forma Paulo destaca em Timóteo e Epafrodito a exortação que ele deu em Fl 2.12-18; ou seja, o Evangelho transformou esses homens de tal maneira que os tornou admiráveis! Vejamos então o que Paulo destaca neles.
No verso 22 Paulo diz que Timóteo havia servido com ele em favor do Evangelho. Essa disposição em servir foi caracterizada por Paulo da seguinte forma:

a-     Timóteo cuidou sinceramente do bem-estar dos filipenses (v. 20);
b-     Timóteo deu provas de si servindo como filho ao lado do pai (v. 22).

O contraponto que Paulo faz é incrível, e destaca ainda mais a atitude de Timóteo! Enquanto Timóteo servia dessa forma, todos os outros “buscam o que é seu, e não o que é de Cristo Jesus” (v. 21).
Quanto a Epafrodito, este havia sido enviado pelos filipenses para servir a Paulo (v. 25). A respeito dele, Paulo recomenda que os filipenses deveriam honrar homens como ele (v. 29). Por que? Veja o v. 30: “pois ele chegou às portas da morte pela obra de Cristo, arriscando a vida para suprir-me o que faltava do vosso serviço”.
Incrível as características de serviço e abnegação desses dois homens! Paulo ressaltou essas características de Cristo em Fl 2.5-11, lembra? Então, a partir de Cristo, o Evangelho transforma o coração egoísta do homem em disposição a servir de forma abnegada em prol do outro! Isso deve ser digno de honra, o Evangelho transformando-nos à imagem de Cristo!
Quem você admira? Somos afeitos a honrar líderes denominacionais, cargos, posições, administradores de mega-empresas/templos. A estes damos os lugares de honra (Tg 2). Todavia, admirável mesmo é ver como o Evangelho transforma pecadores egocêntricos, tiranos, amantes de si mesmos, arrogantes, hedonistas (2 Tm 3.1-5), em servos com disposição de dedicar a própria vida em favor do outro, para a glória, não de si mesmos, mas de Cristo Jesus. Admirável é ver o Evangelho formar cônjuges dedicados um ao outro; pais servindo aos filhos; filhos aos pais; irmãos ajudando uns aos outros de maneira abnegada; patrões servos e empregados abnegados.
Oremos nesse momento. Mas não peçamos que o Senhor nos ajude a ser melhores! Não se trata de um “empurrãozinho” de Deus! Peçamos que o Evangelho nos transforme de tal maneira que o caráter de Cristo seja formado em nós. Cristo em nós... isto sim é admirável!

 Nelson Galvão


Confira também as pastorais anteriores em Filipenses:




Nelson é casado com Simone desde 1997 e eles têm um filho. Ele é formado em História e Teologia, pós-graduado em Administração Escolar e mestre em Educação (PUC-SP). Atualmente faz mestrado em Teologia do Novo Testamento no Seminário Bíblico Palavra da Vida- Atibaia, SP. 
Atua como diretor pedagógico do ministério Pregue a Palavra, como coordenador do grupo do Pregue a Palavra de Cuba e como professor convidado da Escola de Pastores PIBA.




O Evangelho é poderoso para nos salvar e continuar nos salvando! por Nelson Galvão



Quando meu filho tinha em torno de cinco anos de idade estávamos de férias em Natal-RN. Na ocasião minha esposa tirou uma foto minha com ele andando na praia. Essa é uma das fotos que carrego no coração por toda a vida. No ultimo fim de semana comemoramos o dia dos pais e recebi uma homenagem emocionante. Minha esposa tirou uma foto de nós dois juntos caminhando, tal qual 10 anos antes. Automaticamente muitas lembranças me passaram pela cabeça e fiquei muito feliz de poder participar do desenvolvimento do Mateus. Que alegria é para um pai ver seu filho crescer em caráter!
Por que mencionei isso? Porque a sessão de Filipenses que vamos ver hoje tem um teor de paternidade. Espero que você já tenha percebido, a carta de Paulo aos filipenses se dispõe em ciclos de exemplo/exortação, ou exortação/exemplo. Em Fl 1.12-26, Paulo dá seu próprio exemplo e conclui com uma exortação (Fl 1.27-20). Em seguida ele exorta (Fl 2.1-4) e conclui com o exemplo de Cristo (Fl 2.5-11).
No texto que iremos estudar hoje (Fl 2.12-18), Paulo começa com uma exortação e depois termina com o exemplo de Timóteo e Epafrodito (Fl 2.19-30), o que veremos na próxima devocional.
A exortação de Paulo agora é um tanto estranha! Vejamos: “realizai a vossa salvação com temor e tremor”. Como assim “realizar”? Paulo já deixou muito claro que a salvação é tão somente pela graça de Deus e terminantemente não dependente de nossas obras (cf.: Rm 3.24; Ef 2.8). Como agora ele exorta a que desenvolvamos a salvação?
É por isso que amo a leitura completa de livros da Bíblia! Ela minimiza a possibilidade de errarmos na interpretação. Perceba que desde o início da carta, Paulo trata de desenvolvimento cristão. Primeiro ele diz que estava certo de que aquele que começou a boa obra nos filipenses iria “aperfeiçoá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1.6 – grifo meu). Depois ele ora pelos filipenses e pede que o amor deles “aumentasse cada vez mais no pleno conhecimento e em todo entendimento” (Fl 1.9 – grifo meu), e que no dia do Senhor Jesus eles fossem apresentados “cheios do fruto de justiça” (Fl 1.11).
É nesse caminho então que Paulo os exorta a portar-se de maneira digna do evangelho (Fl 1.27), a serem imitadores de Cristo (Fl 2.5) e a realizar a salvação. Assim, Paulo aqui trata do aspecto da santificação da salvação. Em outras palavras, uma vez alcançados exclusivamente pela graça de Deus derramada através da cruz de Nosso Senhor, agora devemos nos valer dessa mesma graça a fim de que os efeitos da salvação em nosso caráter e vida sejam cada vez mais patentes. E se alguém tem dúvida de que é a graça que nos salva e que também nos santifica, Paulo então afirma: “porque é Deus quem produz em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade”(Fl. 2.13 – grifo meu). Ou seja, Deus já nos concedeu graciosamente todos os recursos necessários para uma vida que O agrade.
Talvez agora você pergunte: “ok, entendi! Mas, em termos práticos, o que significa realizar a salvação?”. Observe que Paulo responde a essa pergunta. Ele diz: “Fazei todas as coisas sem queixas nem discórdias” (Fl 2.14).  Perceba que Paulo já vem falando de relacionamentos desde o início do cap. 2, onde ele diz para que os crentes tenham o mesmo sentimento que houve em Cristo. Agora, ele diz que todas as nossas ações devem ser pautadas pela ausência de queixas e discórdias. Isso significa realizar a salvação; ou seja, viver de acordo com a salvação que já nos foi irrevogavelmente concedida.
Paulo acrescenta, fazer todas as coisas sem queixas e discórdias, nos identifica como filhos de Deus que resplandecem como luz em meio a uma geração corrupta e perversa (Fl 2.15). [Esta é uma alusão ao sermão do Monte, onde Jesus diz que os Bem-aventurados são sal e luz do mundo (Mt 5.13,14)]. Essa missão de iluminar um mundo em trevas só é possível através da retenção da “Palavra da Vida”; i. é, Cristo e Sua Palavra (Fl 2.16).
Agindo assim, os crentes filipenses trariam muito orgulho para Paulo (perceba o teor paternal) no dia de Cristo Jesus.
Pare um pouco agora. Faça uma avaliação de si mesmo. Como você era quando foi salvo por Cristo? Passou-se 5, 10, 15 anos. Como você é agora? Continua a reclamar da mesma forma? Clima, comida, trabalho, casamento, pais, igreja, até mesmo de Deus? Diretamente ligada às reclamações estão as discórdias. Quem reclama um dia explode! O coração quando não é preenchido do Evangelho é um reservatório que explode em reclamações e as reclamações detonam as discórdias.
Espero que você já tenha percebido que precisamos do Evangelho todos os dias! Precisamos todos os dias ser preenchidos da graça de Nosso Senhor Jesus. O evangelho é poderoso para nos salvar e continuar nos salvando!


Nelson Galvão

Confira também as pastorais anteriores em Filipenses:




Nelson é casado com Simone desde 1997 e eles têm um filho. Ele é formado em História e Teologia, pós-graduado em Administração Escolar e mestre em Educação (PUC-SP). Atualmente faz mestrado em Teologia do Novo Testamento no Seminário Bíblico Palavra da Vida- Atibaia, SP. 
Atua como diretor pedagógico do ministério Pregue a Palavra, como coordenador do grupo do Pregue a Palavra de Cuba e como professor convidado da Escola de Pastores PIBA.

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